Sou a face explícita

17 outubro 2012

ORIGEM



Nascemos e peregrinamos por extensos e extremos caminhos.
Aprendemos a falar, pensar, visualizar e atuar.
Coordenamos movimentos diversos. Conquistamos, mas também perdemos.
Na batalha conduzida que somos, deixamos de entender à ação.
Somos sem dúvida a flecha atirada ao universo, procurando um alvo.
Autômatos, atuantes em uma máquina giratória composta de artérias e veias.
Os hábitos assemelham-se a máquina, conectar e desconectar.
Somos viajantes perdidos em um espaço de órgãos, metafísica, ciência e lei.
Não somos nós mesmos dentro do que deveríamos habitar.
Somos condutores de energia que impulsiona essa máquina vida a manter-se ativa, não importando seu estado absoluto, sua necessidade, temos que movê-la.
Perdemo-nos entre nós mesmos, aprisionados no plasma da evolução.
Por vezes agimos involuntários as nossas vontades e podemos desencadear lágrimas e decepções.
Assim avançamos no tempo, famintos de nós mesmos, conspirando contra nossos próprios desejos.
A memória adquire conhecimentos intelectuais, ampliando seu espaço matéria, para encontrar seu lugar no tempo.
O vínculo verdade se rompe com a realidade. Será a celebração da desigualdade, porque o elo é à ambição.
Mas o céu se rebelará, irá chorar sobre as sucatas humanas, devoradoras de nós mesmos.
Irá a ferrugem ceder lugar a carne vermelha, que em algum tempo no universo foi chamado de feto.
O mesmo que um dia reinou no paraíso com a forma humana e foi chamado de homem.
E. Menezes

06 outubro 2012

Sonhos e Significados

Quero do tempo o resgate
Do instante passado
Que envolveu
Sonhos e significados
O acaso me encontrou
Deslizou pelo meu ser
Encontrando a razão.
Libertando elos de épocas
E no instante presente
Ser simplesmente feliz.
E. Menezes

Além do Daqui



Sondei as diversas faces
Dos semblantes já esquecidos.
Toquei suas memórias
Vivas estão suas histórias.
Investiguei os corpos
Vestígios de existência.
Avaliei o teor do sentimento
Uma árdua luta entre o bem e o mal.
Vou além do daqui
Buscando o resultado final
De toda trajetória que fiz.
Resulta um corpo entregue
Ao sentimento saudade.
E. Menezes

10 maio 2012

Racional

Atuação


São pedaços de nós mesmos
Que invadem os corpos despovoados
Penetrando, invadindo toda inocência e delicadeza
Eximindo-as para então
Brindar a inexorável arrogância
De pretendermos o que não podemos
Somente para ampliar o espaço
Que nos prendem ao vazio
De nos prestarmos tão pouco
A tanto que temos.

Eliane Menezes

Lembrança Que Ficou

Não lamento o desencontro
Tento construir lembranças
Do encontro de outrora
Não desconsidero a presença
Tento presumí-la em relação ao instante
Não desafio o tempo
Tento aliá-lo as circunstâncias.
Não posso desprezar o homem,
Pois amo sua essência.
Não esquecerei você
Sua existência ocupou o livre espaço
Onde ainda posso sentir sua essência.

Eliane Menezes

Rendição

Quanto te vejo
Me estremeço de cruéis receios
Cedo ao raio que se lança
Na fúria da procura
Então começa uma perpétua luta
Com a loucura da fome insaciável.
Me deixo fugir além dos enganos
Para abrasar-me por inteira
Em seu febril delírio.

Eliane Menezes
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