Sou a face explícita

09 março 2011

Resgate

Lá fora acontecem coisas "abestadas", medonhas, traiçoeiras que podem colocar nossa alma em conflito com o corpo a ponto de torná-la doente.
Não é possível removê-la de nós e fazer seu "tratamento".
É no investimo de nós em humildade e igualdade que podemos restabelecer tudo novamente, ou, ao menos tentar.




Sinto tanto quando alguém que nos é especial se perde na humildade, ou, entendê-la ao seu bel modo, passando a julgar a tudo e a todos com indiferentismo.
O que faz a grande diferença quando saimos de nós, de nossa arrogância e prepotência e buscamos fazer a diferença para quem realmente pode alcançar com os olhos.
Retornarei ao que sempre adorei fazer. Levar encanto e um pouco de conforto as crianças em hospitais, visitar asilos. Nestes momentos ninguém tem um nome e muito menos conta bancária, apenas um sorriso humano.
Estou vivendo um momento difícil, de perda e distante aos meus ideiais.
Não fui a mulher de jóias e requintes, mas do afeto, da dedicação, e será esta mulher simples que a partir de agora resgata sua alma e sorri ao mundo de sua janela.
Meu especial agradecimento ao grande e querido amigo que se fez presente em minha vida, mesmo que em um curto período de tempo. Fez enorme diferença entre o que fui ontem e o que serei amanhã. Obrigada.





27 fevereiro 2011

Blusa e seu efeito

Comumente nós mulheres nos atentamos as outras  quando algo nos agrada, seja a roupa, os acessórios ou calçados. No meu caso foi a blusa que mostro nas fotos. Estive em dois pequenos eventos com ela, fiquei surpresa como ela foi admirada e comentada. Queriam mais detalhes e ao mesmo tempo temerosas de me deixarem constrangida ou incomodada. Tive a idéia de mostrá-la aqui, assim poderão ver os mínimos detalhes, próprio de nossa natureza, minuciosas. Beijos para vocês!

12 fevereiro 2011

A Lucidez Perigosa

Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.

Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.


Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade
- essa clareza de realidade
é um risco.


Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.

Clarice Lispector

16 janeiro 2011

Cúmplice do Silêncio


Momentos em nos ausentamos do cansaço do corpo e  permitimos levitar nossa alma, silenciosamente, como uma prece.
Palavras podem ser implacáveis em sensível ser. Não podermos expressar nossos sentimentos nem nossas verdades nos faz silenciar, porque ao contrário seríamos hipócritas de darmos respostas evasivas ou contrárias ao nosso real sentimento.
Compreensão, distanciando da capacidade humana, porque voltar para si mesmo somente o que é de conveniência é muito fácil, mas fazer-se ser compreendido pelo outro é como começar uma guerra, onde o outro ser torna-se inconveniente e por vezes intolerante.
 Sou a mulher destemida da palavra, sem medo de sofrer por acreditar no que sinto e em minha capacidade de sempre me doar e não calar minha franqueza.
Tenho trazido comigo muitas vezes o peso da existência, porque não vivo em torno de mim mesma, compartilho a dor do próximo tentando amenizar que seja apenas em presença física, é de minha natureza e me permite sentir nobreza em meus gestos.
Mas agora chegou o dia de desejar colo, de afago, da ternura de um olhar, de um abraço amigo. Por duas vezes em  minha vida, uma abraço me foi negado e uma face desviou-se de um beijo. Nasci para o abraços ternos, beijar faces mesmo que duras. Nunca me renderei por ter sido negado a mim o carinho, persistirei, mesmo agora em cumplicidade com o silêncio.
E. Menezes

Eu Adoro Voar!

 "Já escondi um amor com medo de perdê-lo, já perdi um amor por escondê-lo. Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade...
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já chamei pessoas próximas de 'amigo' e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque, sinceramente, sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!"
Clarice Lispector

07 janeiro 2011

O Haver

O Haver

De Vinicius de Moraes

"Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...


Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.


Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.


Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante


E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.


Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.


Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...


Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens".



MA RA VI LHO SO !!!!!







 


12 dezembro 2010

01 dezembro 2010

As sem-razões do Amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade


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