Sou a face explícita

15 agosto 2009

Sua boca não tem nome, mas sei o significado.

Sei que livre seria correr atrás do vento,

Buscando a memória impura

Mas espanto pois volto ao lugar de encanto

Onde a presença exaltava seu sabor

Permitindo que eu apenas desfrutasse do vigor

Da rendição, da entrega

A tênue visão de seus olhos

Pousados em mim.

EMenezes

Dia dos Solteiros


Para meu coração basta teu peito
para tua liberdade bastam minhas asas.
Desde minha boca chegará até o céu
o que estava dormindo sobre tua alma.
E em ti a ilusão de cada dia.
Chegas como o sereno às corolas.
Escavas o horizonte com tua ausência
Eternamente em fuga como a onda.
Eu disse que cantavas no vento
como os pinheiros e como os hastes.
Como eles és alta e taciturna
e intristeces prontamente, como uma viagem.
Acolhedora como um velho caminho.
Te povoa ecos e vozes nostálgicas
eu despertei e as vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam em tua alma.
(Pablo Neruda)
E não somos todos especiais, seja em uma busca ou não?

Lula e Sarney

Nos dogmas da razão prevaleceria à racionalidade de um membro governista cujo poder fundamentalmente seria ser o alicerce de sua nação, defendê-la, mas nunca atentar contra ela com falta de princípios éticos e morais.
A relutância e insensatez de aceitar a indignação da sociedade é uma forma de atentado, onde rouba a tranqüilidade pública, comprovando estas palavras são as manifestações que começam ocorrer, gerando inclusive violência física.
Temos uma constituição fragilizada, invertendo a ordem dos fatores predominantes, nossa comunicação nasce desta constituição e deveria ter eficácia.
O autoritarismo está corrompendo toda estrutura administrativa governamental, causando obstrução do desenvolvimento e resoluções necessárias para o bem comum de todos.
A inflexibilidade por honra ao título e ao partido está operando contra todo um sistema, debilitando-o, desacreditando todo o corpo político, deixando claro o desprezo pelos membros de sua pátria, quando ao contrário seria cuidar da conservação moral para que resultasse na retidão, qualificando membros honoráveis desejosos de se fazer a verdadeira justiça.
Sabemos que a máxima da perfeição não existe, mas virtudes sim, podem criar ideais.
EMenezes

12 agosto 2009

Postos de Saúde

Aproveitando o tema comunidade, vou relatar o que penso a respeito dos Postos de Saúde.
Existem filas enormes na parte da manhã, demora no atendimento. O mês de julho foi precário, muitos postos nem médicos tinham, foi noticiário na TV.
O mês passado um senhor dono de um pequeno sacolão em meu bairro sentiu dor no peito e ao invés de procurar o Pronto Socorro, procurou o Posto de Saúde, era uma ginecologista que estava de plantão. Ela prescreveu um medicamento (prefiro não citar detalhes) e ele voltou para casa, em 4 dias teve crise mais séria e faleceu. Claro, os familiares erraram em não levá-lo para o P. Socorro, não seria correto a ginecologista dar devida orientação?
As filas são grandes pela manhã, obter senha antes que comece o atendimento pelo lado de fora, com sol, chuva, frio, tem que esperar.
Médicos que trabalham por longo tempo no mesmo Posto, começam à acreditar que são donos da verdade, donos do Posto, presenciei isso.
Outro ponto relevante, no período de inverno, doenças respiratórias como, asma, bronquite e sinusite, muitos já são propensos a rinite alérgica, porque vivemos em região com baixa umidade relativa do ar, portal para estas doenças.
Vejam comigo o caso da sinusite que gera o quadro de febre, congestão, dor de cabeça, a pessoa chega ao Posto de Saúde com estes sintomas, esperar senha (outra pessoa pode obter a senha para o paciente), o médico certamente faz o pedido do raixo X, o paciente vai até a recepção saber em qual hospital será feito e o dia que terá vaga para o exame. Pode ser no mesmo dia, no seguinte ou 2 dias depois (mais ainda não soube). Ficará em uso de medicamento para dor e febre até fazer o raixo X, voltar ao Posto novamente, obter a senha e mostrar ao médico o resultado do raixo X.
Pergunto: não seria mais condizente o próprio Posto de Saúde ter o aparelho? Dirão, mas precisa do profissional capacitado, sei e daí?
Dedução: mais empregos, que ótimo!
Resolve-se com agilidade a questão do paciente, mais um radiologista empregado, menos espera em hospital, economia na condução do paciente, o médico se torna até bonzinho e o paciente já segue para casa com a prescrição do medicamento certo que irá curá-lo.
Simples, não?
Não?
Ah sim, quem irá resolver isso?
Ah, temos um orgão chamado Ministério da Saúde, outro chamado Câmara dos Deputados e outro Senado, finalmente quem assinará por essa resolução, o Presidente do "Povo", segundo ele.
Simples assim, é FAZER.
O aparelho para o conhecido exame ECG, eletrocardiograma, com certeza tem enorme necessidade dentro dos Postos de Saúde.
Estes comentários amigos não ficarão em forma de postagem, eles têm um caminho certo a seguir.
Continuo cumprindo meu papel, observando, notificando, se cada um colaborar um pouco, teremos uma totalidade que beneficiará e muito pessoas que precisam de nossas atitudes.

09 agosto 2009

Gotas


As gotas prateadas que do céu vertem, me chamam.
Num gesto desmedido concedo meu corpo à chuva.
Ela me concede asas...
Declina por minha face resvalando meu corpo e como um fluído invisível me penetra, lavando minha alma embriagada de sentimentos.
Uma ternura indefinível devolve-me o momento em que te vi.
Através de teus olhos trouxeste-me um anjo, que me falou por tua voz.
O céu fala pelo rumor da chuva.
Compreendi, então, a sensação de voar.
Momento eterno...
Minha alma extasiada pela melodia da chuva, alada, desatada do corpo que responde agora ao frescor das gotas, te encontra.
Deleita-se com teus beijos, acalenta-se em teu abraço.
O amor da alma prevalece sobre o desejo do corpo.
E quem não o compreende o chama de ilusão...
Se deixasses nessa hora falar o meu olhar...se ouvisses o murmúrio do meu coração, entenderias a persistência de cada gota ao percorrer o extenso caminho, até que beije a grama.
Não terias medo do universo em teu coração.
Quase nem palavras me restam, para mostrar o que há em mim.
Com que versos descrever esse amor, que vem de uma linguagem tão distante daqui ?!
Como ilustrar que quem te amou foi meu coração ?!
Como a chuva que nasce silenciosamente no ventre da nuvem, nasceste comigo.
Eras um sonho, um segredo que hoje fez com que meu coração, recanto pequeno demais para abrigá-lo, compartilhasse com os céus.
Agora és o anúncio que meus olhos espalham...
Como a chuva prenuncia as dádivas da vida.
O estalar dos pingos explodindo no chão mistura-se as batidas do meu coração, que solitário, toma todo o som como saudade.
Não sei se o céu está chorando, ou se meu amor se purificando e libertando...
(Autor desconhecido)
Parabenizo, lindo poema.

06 agosto 2009

Nocturne

Nem uma guerra abafará meus sussurros de paz.

Exatidão

Agita-se no ar
O chamado desafio
De domar tua alma
Mergulhada em pensamentos
E agriolhada na imersão
Das múltiplas situações
Desarticuladas no testemunho
Por uma definida razão.
São temores oblíquos e desconexos
Que por assim serem
Eximem o espírito da injustiça verbal.
Alicie esta criatura
Armada em sorrisos
Louca e precisa
No domínio da exatidão.

EMenezes

Fantasia

Infiltramos o sonho em nossos desejos,
E enebriados ficamos no transcorrer do tempo.
Que se prende as asas da preguiça.
Estamos diante de nós mesmos, em julgamentos
Buscando respostas do enigma em âmbito ideológico.
Os fantasmas sobrevoam a solidão e
Permitem que assistam ao espetáculo.
Eis que começo a fazer parte desse show
E me entrego a delícia de existir.
Agora estou em tudo que se faz perder em mim
Nas buscas de instantes, como trajetórias únicas,
Que não se findam após o gozo,
Porque descobra-se para nós a oportunidade
Dentro de uma mesma intenção.
Liberta-se fantasmas,
E agora somos nosso próprio espetáculo
Com refletidas imagens cansadas da satisfação.

EMenezes

Midsummer Night's Dream

O lunático, o amante, o poeta são todos densos de imaginação.
Alguém enxerga mais demônios do que no inferno,
Pois este é o louco; o amante desvairado,
Vê beleza de Helena em fronte egípicia:
Oolhar do poete, a rolar sem descanso
Corre do céu à terra, e desta ao céu,
E, enquanto a imaginação vai encarnando
Os corpos de coisas ignotas, a pena do poeta
Dá-lhes formas, e a simples fantasmas
Atribui habitação e nome.

(Declaração do duque Teseu V, I, 7-17)

In Extremis

In Extremis

Nunca morrer assim!
Nunca morrer num dia
Assim!
De um sol assim!
Tu, desgrenhada e fria,
Fria!
Postos nos meus os teus olhos molhados,
E apertando nos teus os meus dedos gelados...
E um dia assim!

De um sol assim!
E assim a esfera
Toda azul, no esplendor do fim da primavera!
Asas, tontas de luz, cortando o firmamento!
Ninhos cantando! Em flor a terra toda!
O vento
Despencando os rosais, sacudindo o arvoredo...
E, aqui dentro, o silêncio...

E este espanto!
E este medo!
Nós dois... e, entre nós dois, implacável e forte,
A arredar-me de ti, cada vez mais a morte...
Eu com o frio a crescer no coração, — tão cheio

De ti, até no horror do verdadeiro anseio!
Tu, vendo retorcer-se amarguradamente,
A boca que beijava a tua boca ardente,
A boca que foi tua!
E eu morrendo!

E eu morrendo,
Vendo-te, e vendo o sol, e vendo o céu, e vendo
Tão bela palpitar nos teus olhos, querida,
A delícia da vida!
A delícia da vida!

Olavo Bilac
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