Sou a face explícita

22 novembro 2010

Despedida

"Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces ? - me perguntarão.
- Por não Ter palavras, por não ter imagem.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras ?
Tudo.
Que desejas ?
Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação ...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão !
Estandarte triste de uma estranha guerra ... )
Quero solidão.


Cecília Meireles

15 novembro 2010

Dá-me a Tua Mão

"Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia. Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio".


Clarice Lispector


"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros".

Clarice Lispector

09 outubro 2010

Alguém quer me adotar?

Essa coisinha fofa encontrei domingo abandonado na rua todo sujo de graxa.
Demorou um tempo para que ele parasse de urinar apenas ao chegar perto dele, de tanto medo.
Nada melhor que o carinho para nos dar tranquilidade e confiança.

A exuberância verde de Belo Horizonte

26 setembro 2010

Olhe ao redor




"Olhe para todos a seu redor e veja o que temos feito de nós.
Não temos amado, acima de todas as coisas.
Não temos aceito o que não entendemos porque não queremos passar por tolos.
Temos amontoado coisas, coisas e coisas, mas não temos um ao outro.
Não temos nenhuma alegria que já não esteja catalogada.
Temos construí­do catedrais, e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmos construí­mos, tememos que sejam armadilhas.
Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo.
Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda.
Temos procurado nos salvar, mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes.
Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de ciúme e de tantos outros contraditórios.
Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possí­vel.
Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa.
Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada.
Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos o que realmente importa.
Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.
Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses.
Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz.
Temos sorrido em público do que não sorrirí­amos quando ficássemos sozinhos.
Temos chamado de fraqueza a nossa candura.
Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo.
E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia."


Clarice Lispector

10 setembro 2010

"A Verdade"

"A porta da verdade estava aberta,
Mas só deixava passar
Meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
Porque a meia pessoa que entrava
Só trazia o perfil de meia verdade,
E a sua segunda metade
Voltava igualmente com meios perfis
E os meios perfis não coincidiam verdade...
Arrebentaram a porta.
Derrubaram a porta,
Chegaram ao lugar luminoso
Onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
Diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual
a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela
E carecia optar.
Cada um optou conforme
Seu capricho,
sua ilusão,
sua miopia".
Carlos D. de Andrade

Meu vídeo, achei lindo!


Leiam a mensagem postada no youtube abaixo do vídeo.

04 setembro 2010

Política selvagem

Até o presente momento não ouvi nada diferente nos discursos políticos. O que está sendo promovido é a selvageria de partidos, agressões verbais e nada de conscientização do que realmente o país precisa.
O posto de saúde do meu bairro está sem médicos, as enfermeiras estão prescrevendo receitas.
É imoral, é indecente o que ouço nestas campanhas, o mesmo blá blá blá e o tal de "mostrar as canjicas" para publicidade.
Certa vez falei sobre o que seria a cesta básica que considero cesta sem base e a bolsa faminta. Como, mas como um ser humano pode sobreviver com gêneros de uma cesta básica? Vejamos, papel higiênico, pasta de dente, sabonete, os básicos para higiene. Alimentação: frutas, alimentos calóricos, fibras, omega 3, leite e derivados, como fica?
E roupas, calçados, medicamentos, lazer, etc, etc, etc...
Em nenhum momento nenhum dos candidatos demonstrou patriotismo, teceu algum comentário sobre nossa bandeira, sobre o que é ser brasileiro, ter amor ao nosso solo.
O poder, chegar até ele, masturbá-lo, quanto prazer! É unicamente o que importa, cada um por si na selva do poder.
Nada que disserem, mas nada mudará meu conceito sobre o que é política. Status para os nobres e desprezo pelos pobres.
Promessas do que pode vir a ser feito quando já deveria estar pronto. Me perdoem  os bons políticos que vivem a sombra, seus feitos existem mas dificilmente chegam até nós, porque na mídia é divulgado somente as coisas ordinárias, é o que dá ibope.
Ser político atualmente é ter poder, ostentar riquezas e desprezar ideais. Nada que vá de interesse a população que em um número considerável de eleitores vão as urnas conceber seu voto como se fosse simplesmente tomar um cafezinho.
Não se sabe nem a personalidade dos (as) candidato (as),  mudando tanto a parte estética quanto a moral. Ora imponente, ar austero, cheio de rigor, chegam as campanhas mudam visual, clareiam as "canjicas". Precisamos de bela apresentação física? Precisamos de pessoas com pele "esticada" para dar solução aos grandes problemas como a criminalidade, juros elevadíssimos, os rombos nos cofres públicos, pedofilia e etc, etc, para dar mais estruturação a população?
Precisamos?
O que irá mudar? Nada! Porque continuamos a ser o país das contradições, dos que são cada vez mais ricos e poderosos e dos pobres cada vez mais miseráveis.
Esta é a cara do Brasil de hoje e do Brasil de muitos futuros se nossa consciência e nossas atitudes não mudarem, porque afinal quem sustenta o luxo e a mordomia dos poderosos em seus blindados e mansões no poder político somos nós, que com um simples voto criamos a política selvagem.
pegue a sua no TemplatesdaLua.com

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