Tu que me deste o teu carinho
E que me deste o teu cuidado,
Acolhe ao peito, como o ninho
Acolhe ao pássaro cansado,
O meu desejo incontentado.
Há longos anos ele arqueja
Em aflitiva escuridão.
Sê compassiva e benfazeja.
Dá-lhe o melhor que ele deseja:
Teu grave e meigo coração.
Sê compassiva.
Se algum dia
Te vier do pobre agravo e mágoa,
Atende à sua dor sombria:
Perdoa o mal que desvaria
E traz os olhos rasos de água.
Não te retires ofendida.
Pensa que nesse grito vem
O mal de toda a sua vida:
Ternura inquieta e malferida
Que, antes, não dei nunca a ninguém.
E foi melhor nunca ter dado:
Em te pungido algum espinho,
Cinge-a ao teu peito angustiado.
E sentirás o meu carinho.
E sentirás o meu cuidado.
- Manuel Bandeira -
15 fevereiro 2009
13 fevereiro 2009
CENTRO DE CONTROLE DE ZOONOSES e SMPA
Tem um cão abandonado em minha rua, cheguei a mencionar em artigo anterior para que as pessoas que encontrarem cães ou gatos nas ruas liguem para o número 3277-7411, confesso que quando sugeri não tinha tido a oportunidade de estar em contato com ninguém, a não ser hoje.
O telefone em questão é do Centro de Controle de Zoonoses,
ao ligar, fui atendida por Lucas, narrei situação, contei que ha 3 dias estou alimentando o animal, dei vermífugo e solicitei a carrocinha. Ele respondeu-me que se estou alimentando porque não o coloco para dentro de casa, expliquei que não tenho espaço físico e até por questão de segurança, não sei se ele tem soro positivo da leishmaniose. Pedi previsão da carrocinha, não existe, são apenas dois carros que recolhem os animais. Bem, pedi orientação em como proceder, ele sugeriu que eu pare de alimentar o cão, senão ele ficará em minha porta. GRANDE SUGESTÃO para quem atendeu representando o orgão. Aliás, tentei ligar novamente porque quero saber a função do individuo, mas fizeram a gentileza de atender ao telefone deixá-lo de lado sem nada dizerem, ouvi vozes de homem e mulher conversando e ninguém respondia ao meu alô, alô...até que caiu a ligação, desse momento até decorridos 36 minutos, o telefone continua ocupado, não que alguém esteja utilizando, se me entendem.
Em toda Belo Horizonte existem apenas duas "carrocinhas" para recolherem os animais.
Segundo estatística da Prefeitura, existe 30 mil cães abandonados nas ruas, 94 pessoas tiveram leishmaniose em 2008, sendo que 13 morreram. (Fonte: Jornal O Tempo)
Liguei também para a Sociedade Mineira Protetora dos Animais, conversei com Aline, obtive seguintes informações, pode sim deixar um cão, se tiver até dois meses paga-se uma taxa de 20,00 reais e um pacote de ração, se acima de 2 meses paga-se uma taxa de 185,00 e o animal será tratado por veterinários e colocado para adoção.
(O SMPA é particular, não tem vínculo governamental)
Enfim, não existe um orgão que atenda a nada relacionado ao recolhimento de um animal abanonado quando solicitado, ou então pessoas como eu que se preocupam, pagamos uma taxa de 185,00 para cada animal abandonado que encontrarmos.
Moral da história: cachorro não tem título de eleitor e nem dá ibope para a política.
O telefone em questão é do Centro de Controle de Zoonoses,
ao ligar, fui atendida por Lucas, narrei situação, contei que ha 3 dias estou alimentando o animal, dei vermífugo e solicitei a carrocinha. Ele respondeu-me que se estou alimentando porque não o coloco para dentro de casa, expliquei que não tenho espaço físico e até por questão de segurança, não sei se ele tem soro positivo da leishmaniose. Pedi previsão da carrocinha, não existe, são apenas dois carros que recolhem os animais. Bem, pedi orientação em como proceder, ele sugeriu que eu pare de alimentar o cão, senão ele ficará em minha porta. GRANDE SUGESTÃO para quem atendeu representando o orgão. Aliás, tentei ligar novamente porque quero saber a função do individuo, mas fizeram a gentileza de atender ao telefone deixá-lo de lado sem nada dizerem, ouvi vozes de homem e mulher conversando e ninguém respondia ao meu alô, alô...até que caiu a ligação, desse momento até decorridos 36 minutos, o telefone continua ocupado, não que alguém esteja utilizando, se me entendem.
Em toda Belo Horizonte existem apenas duas "carrocinhas" para recolherem os animais.
Segundo estatística da Prefeitura, existe 30 mil cães abandonados nas ruas, 94 pessoas tiveram leishmaniose em 2008, sendo que 13 morreram. (Fonte: Jornal O Tempo)
Liguei também para a Sociedade Mineira Protetora dos Animais, conversei com Aline, obtive seguintes informações, pode sim deixar um cão, se tiver até dois meses paga-se uma taxa de 20,00 reais e um pacote de ração, se acima de 2 meses paga-se uma taxa de 185,00 e o animal será tratado por veterinários e colocado para adoção.
(O SMPA é particular, não tem vínculo governamental)
Enfim, não existe um orgão que atenda a nada relacionado ao recolhimento de um animal abanonado quando solicitado, ou então pessoas como eu que se preocupam, pagamos uma taxa de 185,00 para cada animal abandonado que encontrarmos.
Moral da história: cachorro não tem título de eleitor e nem dá ibope para a política.
11 fevereiro 2009
Vacina contra a Leishmaniose

No jornal O Tempo no mês de outubro/2008 foi publicado que cães e gatos saudáveis não serão mais sacrificados em Belo Horizonte.
O artigo diz que cães e gatos recolhidos na capital somente serão mortos se estiverem doentes, os demais serão vacinados contra a raiva, serão esterilizadas e, se tiverem sorologia negativa para a leishmaniose, terão um chip e serão devolvidas as ruas.
Soube de mais informações pelo telefone 3277-7411.
Soube de mais informações pelo telefone 3277-7411.
Outra grande notícia é a revolucionária vacina LEISH TEC contra a doença Leishmaniose Visceral Canina lançada em outubro/2008 em Belo Horizonte, pelo laboratório HERTAPE CALIER .
Resultado de uma parceria com a UFMG .
Sobre a vacina, o link abaixo disponibiliza o assunto na íntegra. (Conheça o site, muito interessante).
Resultado de uma parceria com a UFMG .
Sobre a vacina, o link abaixo disponibiliza o assunto na íntegra. (Conheça o site, muito interessante).
Já me informei sobre quantas doses são necessárias, iniciais serão 3 doses consecutivas e depois uma dose a cada ano.
Meu apelo: Se tiver cão ou gato abandonado em sua região, ligue para 3277-7411 e solicite a carrocinha para recolher o aninal, assim evitaremos que os indefesos animais fiquem expostos às chuvas, calor, fome, sede, sejam brutalmente agredidos e eventualmente que não se contaminem quando saudáveis. Na totalidade desse ato, podemos estar ajudando a evitar acidentes que envolvam transportes. É uma questão de consciência e cidadania.
31 janeiro 2009
Hora do banho!!!
Quero deixar uma sugestão que dada a minha experiência em hospital pode vir ajudar alguém.
Em casa não tranque a porta do banheiro em situações que irá haver demora, como banho, maquiagem, etc.
Faça com que os demais membros da casa respeitem seu momento dentro dele, sem importunar, mas não tranquem a porta.
No caso de passar mal dentro dele a demora em ter que descobrir uma forma para abrir a porta por fora ou até arrombá-la compromente o tempo de socorro para a pessoa que estaria dentro dele.
Sei que ninguém deseja passar a vida imaginando incidentes, mas algumas coisas devem ser relevadas e terem especial atenção.
Em casa não tranque a porta do banheiro em situações que irá haver demora, como banho, maquiagem, etc.
Faça com que os demais membros da casa respeitem seu momento dentro dele, sem importunar, mas não tranquem a porta.
No caso de passar mal dentro dele a demora em ter que descobrir uma forma para abrir a porta por fora ou até arrombá-la compromente o tempo de socorro para a pessoa que estaria dentro dele.
Sei que ninguém deseja passar a vida imaginando incidentes, mas algumas coisas devem ser relevadas e terem especial atenção.
14 dezembro 2008
Para alguém muito especial
Olá Victor, esse vídeo é para você, com meu carinho todo especial. Tenha um lindo domingo.
12 dezembro 2008
Amar e ser Amado
Amar e ser amado!
Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente
Por essas doces noites de desveio!
Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora frente!
E, teus olhos mirar meu pensamento,
P'ra tão puro e celeste sentimento:
Ver nossas vidas quais dois mansos rios,
Juntos, juntos perderem-se no oceanoBeijar teus dedos em delírio insano
Nossas almas unidas, nosso alento,
Confundindo também, amante - amado -
Como um anjo feliz... que pensamento
(Castro Alves)
Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente
Por essas doces noites de desveio!
Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora frente!
E, teus olhos mirar meu pensamento,
P'ra tão puro e celeste sentimento:
Ver nossas vidas quais dois mansos rios,
Juntos, juntos perderem-se no oceanoBeijar teus dedos em delírio insano
Nossas almas unidas, nosso alento,
Confundindo também, amante - amado -
Como um anjo feliz... que pensamento
(Castro Alves)
07 dezembro 2008
Pensamentos de Gibran Kahlil Gibran

"Ninguém pode conviver sozinho com a beleza que é capaz de perceber.
E quanto a nós, que buscamos o Absoluto, e que construímos um jardim usando a nossa própria solidão, a Vida nos deixou a imensa paixão para aproveitar cada instante, com toda a intensidade".
"Eu estou vivo como você.
E de pé a seu lado.Feche os olhos e olhe ao redor, e me verá".
"O pecado não existe, exceto na medida em que o criamos.
Somos nós, portanto, que devemos destruí-lo.
Se escolhermos fazer o mal, ele existirá até que o destruamos.
O bem não podemos fazê-lo, pois ele é o próprio alento do Universo;
Mas podemos escolher respirar e viver nele e com ele".
"O rouxinol falou para o tico-tico
— Sabes que tens um belo canto
O tico-tico respondeu
— Eu nunca duvidei do teu bom-gosto".
Doença de Alzheimer
Vejo a vida das pessoas sendo atropelada pelo tempo, pelo dinheiro e menos pela qualidade de vida.
Alguns vivem com a própria arrogância, independentes, auto-suficientes, donos da verdade.
É de suma importância que se dê devida atenção a essa doença que não é de natureza somente hereditária e nem somente em idosos.
Ela envolve completamente a vida dos familiares, porque a pessoa que sofre dessa doença torna-se totalmente dependente, compromete os envolvidos e o tratamento é de custo elevado.
Sugiro que procurem informações, o esclarecimento pode vir à ajudar pessoas próximas de nós.
Alguns vivem com a própria arrogância, independentes, auto-suficientes, donos da verdade.
É de suma importância que se dê devida atenção a essa doença que não é de natureza somente hereditária e nem somente em idosos.
Ela envolve completamente a vida dos familiares, porque a pessoa que sofre dessa doença torna-se totalmente dependente, compromete os envolvidos e o tratamento é de custo elevado.
Sugiro que procurem informações, o esclarecimento pode vir à ajudar pessoas próximas de nós.
26 outubro 2008
Frei Betto
O texto está na internet. Essa publicação foi do e-mail que recebi do amigo Dario, obrigada.
PEÇO DESCULPAS
Frei Betto
Estou gravemente enfermo. Gostaria de manifestar publicamente minhas escusas a todos que confiaram cegamente em mim. Acreditaram em meu suposto poder de multiplicar fortunas. Depositaram em minhas mãos o fruto de anos de trabalho, as economias familiares, o capital de seus empreendimentos.Peço desculpas a quem assiste às suas economias evaporarem pelas chaminés virtuais das Bolsas de Valores, bem como àqueles que se encontram asfixiados pela inadimplência, os juros altos, a escassez de crédito, a proximidade da recessão.
Sei que nas últimas décadas extrapolei meus próprios limites. Arvorei-me em rei Midas, criei em torno de mim uma legião de devotos, como se eu tivesse poderes divinos. Meus apóstolos - os economistas neoliberais - saíram pelo mundo a apregoar que a saúde financeira dos países estaria tanto melhor quanto mais eles se ajoelhassem a meus pés. Fiz governos e opinião pública acreditarem que o meu êxito seria proporcional à minha liberdade. Desatei-me das amarras da produção e do Estado, das leis e da moralidade.
Reduzi todos os valores ao cassino global das Bolsas, transformei o crédito em produto de consumo, convenci parcela significativa da humanidade de que eu seria capaz de operar o milagre de fazer brotar dinheiro do próprio dinheiro, sem o lastro de bens e serviços.Abracei a fé de que, frente às turbulências, eu seria capaz de me auto-regular, como ocorria à natureza antes de ter seu equilíbrio afetado pela ação predatória da chamada civilização.
Tornei-me onipotente, supus-me onisciente, impus-me ao planeta como onipresente.
Globalizei-me. Passei a jamais fechar os olhos. Se a Bolsa de Tóquio silenciava à noite, lá estava eu eufórico na de São Paulo; se a de Nova York encerrava em baixa, eu me recompensava com a alta de Londres. Meu pregão em Wall Street fez de sua abertura uma liturgia televisionada para todo o orbe terrestre. Transformei-me na cornucópia de cuja boca muitos acreditavam que haveria sempre de jorrar riqueza fácil, imediata, abundante. Peço desculpas por ter enganado a tantos em tão pouco tempo; em especial aos economistas que muito se esforçaram para tentar imunizar-me das influências do Estado.
Sei que, agora, suas teorias derretem como suas ações, e que o estado de depressão em que vivem se compara ao dos bancos e das grandes empresas.Peço desculpas por induzir multidões a acolher, como santificadas, as palavras de meu sumo pontífice Alan Greenspan, que ocupou a sé financeira durante dezenove anos.
Admito ter ele incorrido no pecado mortal de manter os juros baixos, inferiores ao índice da inflação, por longo período.
Assim, estimulou milhões de usamericanos à busca de realizarem o sonho da casa própria. Obtiveram créditos, compraram imóveis e, devido ao aumento da demanda, elevei os preços e pressionei a inflação.
Para contê-la, o governo subiu os juros… e a inadimplência se multiplicou como uma peste, minando a suposta solidez do sistema bancário.Sofri um colapso. Os paradigmas que me sustentavam foram engolidos pela imprevisibilidade do buraco negro da falta de crédito. A fonte secou.
Com as sandálias da humildade nos pés, rogo ao Estado que me proteja de uma morte vergonhosa. Não posso suportar a idéia de que eu, e não uma revolução de esquerda, sou o único responsável pela progressiva estatização do sistema financeiro.
Não posso imaginar-me tutelado pelos governos, como nos países socialistas. Logo agora que os Bancos Centrais, uma instituição pública, ganhavam autonomia em relação aos governos que os criaram e tomavam assento na ceia de meus cardeais, o que vejo? Desmorona toda a cantilena de que fora de mim não há salvação.
Peço desculpas antecipadas pela quebradeira que se desencadeará neste mundo globalizado. Adeus ao crédito consignado!
Os juros subirão na proporção da insegurança generalizada. Fechadas as torneiras do crédito, o consumidor se armará de cautelas e as empresas padecerão a sede de capital; obrigadas a reduzir a produção, farão o mesmo com o número de trabalhadores.
Países exportadores, como o Brasil, verão menos clientes do outro lado do balcão; portanto, trarão menos dinheiro para dentro de seu caixa e terão que repensar suas políticas econômicas.Peço desculpas aos contribuintes dos países ricos que vêem seus impostos servirem de bóia de salvamento de bancos e financeiras, fortuna que deveria ser aplicada em direitos sociais, preservação ambiental e cultura.
Eu, o mercado, peço desculpas por haver cometido tantos pecados e, agora, transferir a vocês o ônus da penitência.
Sei que sou cínico, perverso, ganancioso. Só me resta suplicar para que o Estado tenha piedade de mim.
Não ouso pedir perdão a Deus, cujo lugar almejei ocupar. Suponho que, a esta hora, Ele me olha lá de cima com aquele mesmo sorriso irônico com que presenciou a derrocada da torre de Babel.
Frei Betto é escritor, autor de "Cartas da Prisão" (Agir), entre outros livros.
PEÇO DESCULPAS
Frei Betto
Estou gravemente enfermo. Gostaria de manifestar publicamente minhas escusas a todos que confiaram cegamente em mim. Acreditaram em meu suposto poder de multiplicar fortunas. Depositaram em minhas mãos o fruto de anos de trabalho, as economias familiares, o capital de seus empreendimentos.Peço desculpas a quem assiste às suas economias evaporarem pelas chaminés virtuais das Bolsas de Valores, bem como àqueles que se encontram asfixiados pela inadimplência, os juros altos, a escassez de crédito, a proximidade da recessão.
Sei que nas últimas décadas extrapolei meus próprios limites. Arvorei-me em rei Midas, criei em torno de mim uma legião de devotos, como se eu tivesse poderes divinos. Meus apóstolos - os economistas neoliberais - saíram pelo mundo a apregoar que a saúde financeira dos países estaria tanto melhor quanto mais eles se ajoelhassem a meus pés. Fiz governos e opinião pública acreditarem que o meu êxito seria proporcional à minha liberdade. Desatei-me das amarras da produção e do Estado, das leis e da moralidade.
Reduzi todos os valores ao cassino global das Bolsas, transformei o crédito em produto de consumo, convenci parcela significativa da humanidade de que eu seria capaz de operar o milagre de fazer brotar dinheiro do próprio dinheiro, sem o lastro de bens e serviços.Abracei a fé de que, frente às turbulências, eu seria capaz de me auto-regular, como ocorria à natureza antes de ter seu equilíbrio afetado pela ação predatória da chamada civilização.
Tornei-me onipotente, supus-me onisciente, impus-me ao planeta como onipresente.
Globalizei-me. Passei a jamais fechar os olhos. Se a Bolsa de Tóquio silenciava à noite, lá estava eu eufórico na de São Paulo; se a de Nova York encerrava em baixa, eu me recompensava com a alta de Londres. Meu pregão em Wall Street fez de sua abertura uma liturgia televisionada para todo o orbe terrestre. Transformei-me na cornucópia de cuja boca muitos acreditavam que haveria sempre de jorrar riqueza fácil, imediata, abundante. Peço desculpas por ter enganado a tantos em tão pouco tempo; em especial aos economistas que muito se esforçaram para tentar imunizar-me das influências do Estado.
Sei que, agora, suas teorias derretem como suas ações, e que o estado de depressão em que vivem se compara ao dos bancos e das grandes empresas.Peço desculpas por induzir multidões a acolher, como santificadas, as palavras de meu sumo pontífice Alan Greenspan, que ocupou a sé financeira durante dezenove anos.
Admito ter ele incorrido no pecado mortal de manter os juros baixos, inferiores ao índice da inflação, por longo período.
Assim, estimulou milhões de usamericanos à busca de realizarem o sonho da casa própria. Obtiveram créditos, compraram imóveis e, devido ao aumento da demanda, elevei os preços e pressionei a inflação.
Para contê-la, o governo subiu os juros… e a inadimplência se multiplicou como uma peste, minando a suposta solidez do sistema bancário.Sofri um colapso. Os paradigmas que me sustentavam foram engolidos pela imprevisibilidade do buraco negro da falta de crédito. A fonte secou.
Com as sandálias da humildade nos pés, rogo ao Estado que me proteja de uma morte vergonhosa. Não posso suportar a idéia de que eu, e não uma revolução de esquerda, sou o único responsável pela progressiva estatização do sistema financeiro.
Não posso imaginar-me tutelado pelos governos, como nos países socialistas. Logo agora que os Bancos Centrais, uma instituição pública, ganhavam autonomia em relação aos governos que os criaram e tomavam assento na ceia de meus cardeais, o que vejo? Desmorona toda a cantilena de que fora de mim não há salvação.
Peço desculpas antecipadas pela quebradeira que se desencadeará neste mundo globalizado. Adeus ao crédito consignado!
Os juros subirão na proporção da insegurança generalizada. Fechadas as torneiras do crédito, o consumidor se armará de cautelas e as empresas padecerão a sede de capital; obrigadas a reduzir a produção, farão o mesmo com o número de trabalhadores.
Países exportadores, como o Brasil, verão menos clientes do outro lado do balcão; portanto, trarão menos dinheiro para dentro de seu caixa e terão que repensar suas políticas econômicas.Peço desculpas aos contribuintes dos países ricos que vêem seus impostos servirem de bóia de salvamento de bancos e financeiras, fortuna que deveria ser aplicada em direitos sociais, preservação ambiental e cultura.
Eu, o mercado, peço desculpas por haver cometido tantos pecados e, agora, transferir a vocês o ônus da penitência.
Sei que sou cínico, perverso, ganancioso. Só me resta suplicar para que o Estado tenha piedade de mim.
Não ouso pedir perdão a Deus, cujo lugar almejei ocupar. Suponho que, a esta hora, Ele me olha lá de cima com aquele mesmo sorriso irônico com que presenciou a derrocada da torre de Babel.
Frei Betto é escritor, autor de "Cartas da Prisão" (Agir), entre outros livros.
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